segunda-feira, 1 de março de 2010

Beijo entre mulheres termina em confusão na PM em SERGIPE

"Jornalista afirma que foi algemada e apanhou de policial militar após tentar defender as amigas que foram agredidas por ele após se beijarem"

Indignação, impotência e medo. Esses são os sentimentos de uma jornalista que foi agredida, algemada e presa ao tentar defender duas amigas que foram ameaças por um policial militar por estarem se beijando durante o carnaval. O fato aconteceu durante os festejos do município de Neópolis, distante 123 km da capital.
Na manhã desta segunda-feira, 1º, o promotor Deijaniro Jonas, ouviu o depoimento dos envolvidos no fato. De acordo com a jornalista gaucha identificada como R.M.T., o policial militar foi ao encontro das duas mulheres e disse que parassem com o show porque o beijo estava agredindo as autoridades presentes no palanque oficial.

A jornalista conta que quando foi defender as amigas dizendo que não estavam fazendo nada

R.M. T ficou com vários hematomas pelo corpo.                          

demais, foi empurrada e ofendida com uma frase de baixo calão pelo policial.
“Chamei ele de orangotango pela truculência com que agiu comigo. Então, fui arrastada e levada algemada para o batalhão de polícia. Fiquei algemada em uma sala por várias horas e quando passei a reclamar o policial me deu um tapa no rosto na frente de vários oficias da polícia”, denuncia R.M.T, salientando que ao ser levada para a delegacia do município, pediu para que um amigo fotografasse a ocorrência. “Ele recebeu um tapa do policial que quebrou o telefone celular”, conta a jornalista.

Danos

Revoltada com a agressão sofrida a jornalista diz que estava com uma fratura na perna e que por isso não representava nenhuma ameaça para a sociedade ao ter sido algemada. “Estou tomando

O policial prestou queixa contra a jornalista .   

remédio para dormir, acordo no meio da noite e tenho pesadelos, vim para Sergipe porque acreditava que teria paz e tranquilidade, mas hoje quando encontro um policial fico com bastante medo”, salienta a jornalista.



Delegacia



Na delegacia, a jornalista relata que sofreu descaso por parte do delegado. “O delegado parecia que queria se livrar logo daquela situação e depois que conversou com meu advogado disse que estava tudo resolvido, falei para ele que tinha levado um tapa na cara de um soldado e nada foi feito”, relata.



Processo

De vítima, a jornalista também responderá a processo por desacato a autoridade. Em relato feito ao delegado Cledson Ferreira Pinto, o policial da 2ª Companhia do 2ª Batalhão da Polícia Militar de

Publicitária diz que analisa pedir ação indenizatória                 

Neópolis, José Almir dos Santos, afirmou que as duas mulheres estavam se beijando e fazendo carícias desaconselhadas para o momento e o ambiente onde se encontravam várias autoridades como o prefeito, deputados federais, estaduais e vereadores do município.
No depoimento o policial diz ainda que pediu para que as mulheres fossem se acariciar em outro lugar. José Almir segue relatando que, enquanto falava com as mulheres, foi desrespeitado por uma terceira que o chamou de orangotango.

Vítimas

A publicitária Aniela Androsyszyn que estava com a namorada durante o carnaval em Neópolis, está indignada com o acontecido e cobra Justiça. “Estávamos nos divertindo e nem chegamos a nos beijar. Fomos tratadas com falta de respeito por parte do policial que chegou dizendo que era para a gente acabar com o show. Senti-me completamente discriminada. Espero que seja feita a Justiça e que esse fato não aconteça com mais ninguém”,

Promotor diz que caso será encaminhado para Neópolis.

declara Aniela, ressaltando que estuda a possibilidade de entrar com processo de danos morais e discriminação na Justiça.

MP
O promotor Deijaniro Jonas foi contundente ao avaliar o caso e afirmou que encaminhará os depoimentos para que Comarca de Neópolis avalie os fatos. “A primeira analise que fazemos é que a autoridade policial não tinha preparo para avaliar determinada situação. O beijo homossexual necessita de intervenção policial? Todos os depoimentos serão encaminhados à promotoria de Neópolis para que essa atitude preconceituosa seja apurada”, afirma o promotor.

Por Kátia Susanna


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